OutField Consulting © 2017.

Orgulhosamente criado com nosso cliente Wix.com.

Recent Posts
Featured Posts

Bleacher Report: O misto entre ESPN e MTV que está dominando o conteúdo esportivo nos EUA.

May 23, 2017

Em uma era na qual o consumo de mídia está cada vez mais fragmentado e passamos, em média, três horas por dia com a cara enfiada em nossos smartphones, as empresas vencedoras são aquelas que mais rápido se adaptam às inúmeras mudanças de comportamento do consumidor e utilizam essa expertise para desenvolver produtos e abordagens mobile-first e direcionadas aos novos padrões de consumo.

 

Neste contexto, o Bleacher Report (B/R), portal esportivo digital fundado na cidade de San Francisco (EUA) em 2007 como um agregador de artigos escritos por torcedores, é uma das estrelas da indústria global. Nos dez anos que se passaram desde sua fundação, o modelo de negócios evoluiu para uma plataforma de mídia esportiva em sentido amplo, distribuindo conteúdo criativo e autêntico em diversos formatos, com 85% de sua audiência concentrada na faixa etária abaixo dos 30 anos.

 

O rápido crescimento despertou o interesse da Turner (dona dos canais Esporte Interativo no Brasil) que, em 2012, adquiriu a plataforma por $175M e de pronto dedicou mais $200M para expandir as atividades da empresa.

 

Números que impressionam

 

Seguindo a tendência de um mundo em que consumidores desejam conteúdo curto e de fácil digestão, o B/R migrou praticamente toda sua operação para mobile e montou equipes dedicadas à cada uma das redes sociais, trazendo profissionais que fizeram carreira em gigantes como New York Times, The Guardian, ESPN, NBC e MTV para tocar os times voltados para Facebook, Instagram, YouTube e Snapchat – resultado: hoje 75% de seu tráfego é oriundo de smartphones e somados todos os canais da empresa impactam mensalmente 250 milhões de pessoas em todo o mundo.

 

Além disso, em 2012 lançou a empresa lançou o “Team Stream”, uma aplicação própria que respeita seu DNA, ou seja, funciona como um agregador de conteúdo esportivo que customiza a experiência do usuário – desde então o APP teve uma média de 15 milhões de downloads por ano.

(Conteúdo criativo e divertido: no mesmo período de 5 anos em que a ESPN perdeu 12M de assinantes nos EUA,
o B/R construiu seu império esportivo digital dirigido ao Millennials).

 

A migração para o modelo de entretenimento conjugado

 

Inicialmente a Turner adquiriu a plataforma para fortalecer sua posição na acirrada competição perante a ESPN, porém o sucesso da operação tem sido tão grande e acelerado que cada vez mais o B/R se afasta do clássico fornecimento de estatística, notícias e highlights para se tornar um hub de conteúdo inovador que, para os jovens, disputa espaço diretamente com as emissoras de TV e as demais produtoras de conteúdo (HBO, Netflix, etc...).

 

Agora a meta dos executivos do B/R é explorar ainda mais a profunda intersecção entre esportes, entretenimento, lifestyle e cultura, e assim se tornar um misto de ESPN e MTV para as próximas gerações. Por isso, nos últimos dois anos a companhia investiu pesado no desenvolvimento de conteúdo original próprio, bastante semelhante ao modelo originado na HBO, alavancando produções próprias.

 

 

(Game of Zones é uma sátira da série praticamente homônima, envolvendo atletas da NBA em situações semelhantes ao seriado da HBO – sucesso absoluto de público nas redes sociais, os vídeos de até 4 minutos possuem média de 15M de visualizações... audiência maior do que muito seriado por aí).

 

 

 

 

 

"A arena digital é o destino de consumidores procurando conteúdo original e lá que queremos disponibilizar nossas produções" afirma Dave Finocchio, co-fundador e CEO da empresa que, entre 2012 e 2014, recusou sucessivas propostas para disponibilizar a plataforma na TV por assinatura.

 

O sucesso é tamanho que a companhia pretende se manter longe da briga por direitos de transmissão (vale a ressalva de que por ser parte de um enorme conglomerado, a empresa tem o acesso facilitado a conteúdo de qualidade e alto valor como, por exemplo, jogos da NBA, diversos filmes da Warner Bros e séries como Game of Thrones). “Queremos desenvolver nosso próprio conteúdo, nossa própria voz. Não vamos gastar dinheiro com direitos de transmissão quando o que nosso consumidor quer é autenticidade”, afirma Finocchio.

 

 

(Vantagem também para anunciantes: a inserção de marcas no conteúdo original distribuído é sutil e diversas empresas investem no modelo de branded content do B/R que traz retorno de engajamento superior às veiculações televisivas - as mais recentes a se associar foram Nike, Coors, Pringles e Ford)

 

 

 

 

 

 

Numa era em que as emissoras não controlam mais a agenda do consumidor e não precisamos assistir a noticiários esportivos para ter acesso a notícias e melhores momentos, a decisão está trazendo rápidos resultados para a plataforma que, nos últimos seis meses, dobrou sua base de seguidores nas redes sociais, criou canais dedicados a futebol na Europa e está produzindo documentários de longa duração sobre histórias que conjugam esporte e cultura ao redor do globo.

 

(Primeiro documentário produzido pela plataforma teve como tema a conturbada carreira de Michael Vick,
ex-jogador de futebol americano que intercalou fama e sucesso com polêmicas e prisão).

 

Enquanto isso, no Brasil ainda discutimos a dependência do esporte (especialmente do futebol) do dinheiro da TV, o modelo engessado da Rede Globo e a complexa coexistência entre os canais por assinatura que, salvo algumas saudáveis exceções como Esporte Interativo e ESPN, ainda são pouco inovadores e progressistas quando se trata de produção e distribuição de conteúdo de qualidade.

 

Já passou da hora de pensarmos fora caixa...

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Follow Us
Search By Tags
Please reload

Archive
  • LinkedIn Social Icon
  • Twitter Basic Square